O diálogo que impulsiona a liderança
Perante um cenário global, redefinido pela disrupção tecnológica e pela urgência de novas estratégias, o “Leadership Summit Portugal 2025” convocou a comunidade de líderes a um imperativo: confrontar a realidade e estabelecer “novas regras” para o jogo da liderança. Sob o mote central “The Game of Leaders – New Rules for Politics, Earth, AI and Humans”, o evento que se realizou no Casino Estoril, no dia 25 de setembro, transformou-se no palco de um diálogo urgente sobre o papel da ética, da humanidade e da decisão, num mundo cada vez mais impactado por tensões geopolíticas e pela afirmação da Inteligência Artificial.
A Devoteam, enquanto consultora líder na transformação digital, marcou presença neste debate essencial, representada por Pedro Campos, Executive Director and Head of Management Consulting, reforçando o seu compromisso em alinhar o avanço tecnológico com uma visão humana e de valor.

O futuro do trabalho: A requalificação do potencial humano
O Leadership Summit serviu como catalisador para a redefinição do capital humano na era da IA, um tema central do painel “New Rules for the Future of Work”.
O debate, moderado por Rita Rugeroni Saldanha, Diretora de Conteúdos da Revista Líder, colocou lado a lado Pedro Campos, Executive Director and Head of Management Consulting da Devoteam Portugal e Filipe Seixas, Business Development Director do ISQe, para analisar, sob a perspectiva de “duas faces da mesma moeda – a da tecnologia e a das pessoas”, a transformação do mercado global do trabalho, profundamente, impactado pela adoção da IA, sinais de congelamento (baixas taxas de contratação e demissão), escassez de talento e a necessidade de uma visão estratégica a longo prazo.



A conversa, baseada no relatório “Chief People Officers Outlook”, do Fórum Económico Mundial, foi estruturada em três dilemas cruciais que os líderes enfrentam atualmente:
Curto Prazo vs. Longo Prazo
Perante a prudência imediata das organizações e a urgência de transformação a longo prazo, Pedro Campos sublinhou que este equilíbrio é ditado em grande parte pelo próprio setor.
Para a área da Banca e Seguros, a disrupção das Fintech e Insure Tech torna a adoção da IA um “desígnio de sobrevivência”. Contudo, noutras áreas, a pressão é sentida de forma mais gradual. O Executive Director and Head of Management Consulting reforçou que o mercado deve ter a capacidade de evoluir na utilização da IA, dando como exemplo o que aconteceu na adaptação ao trabalho digital durante a pandemia de Covid-19.
“É muito importante as pessoas olharem para a Inteligência Artificial como uma ferramenta para melhorar a sua vida e os seus processos de trabalho. Não é um fim, mas sim um meio para libertar o potencial humano.”
Filipe Seixas complementou esta visão, focando-se na necessidade de “consciencialização organizacional”. Para o Business Development Director, a aposta deve centrar-se nas power skills e na constante adaptabilidade, para que a IA possa ser um verdadeiro power enhancer do talento já existente.
Ameaça vs. Oportunidade
Respondendo às preocupações sobre a destruição de postos de trabalho e estagnação de competências, Pedro Campos desmistificou a IA como ameaça. Citando o relatório do Fórum Económico Mundial, destacou que a balança de empregos mostra um saldo largamente positivo: até 2030, a criação de cerca de 170 milhões de novos empregos e funções supera os 92 milhões em risco.
“Não estamos a assistir a uma destruição de postos de trabalho, estamos a assistir a uma requalificação de postos de trabalho.”
Filipe Seixas reforçou, dando o exemplo da revolução industrial e fazendo o paralelismo entre Homem e Máquina, que a adaptação é a chave, exigindo das equipas a capacidade de serem diferenciadoras e de incorporarem a IA no seu dia a dia.
O Líder do Futuro
Para liderar com sucesso neste contexto de transformação, que exige a sinergia entre pessoas e tecnologia, Pedro Campos destacou três competências críticas que os líderes devem desenvolver e fomentar:
- Literacia Digital Estratégica: Não basta saber usar a IA, é preciso compreender de que forma esta ferramenta pode potenciar, ou colocar em risco, o negócio da organização.
- Abertura à Experimentação: O líder deve dar o espaço e a liberdade aos colaboradores para que estes explorem e se adaptem à tecnologia.
- Liderança Humana e Inteligência Emocional: Numa era de transformação, a comunicação clara e a dimensão humana são críticas, exigindo que o desenvolvimento da função seja acompanhado pelo desenvolvimento tecnológico.
Filipe Seixas destacou que o papel da liderança implica aprender a colaborar com os “agentes de IA” que integram a equipa. É essencial que o líder cultive o “GRIT” – a capacidade de resiliência contínua – e adote um Growth Mindset. Esta postura pressupõe uma abertura face aos desafios, focando-se ativamente na busca de soluções e na capacitação e desenvolvimento dos membros da sua equipa.
Concluindo, Pedro Campos fez um alerta crucial: os responsáveis de Recursos Humanos têm um “papel crítico no redesenho da função das pessoas”, uma etapa frequentemente negligenciada, mas essencial para que as organizações e os colaboradores beneficiem plenamente do potencial da Inteligência Artificial.
Da decisão à transformação
O “Leadership Summit Portugal 2025” fez um apelo inequívoco aos líderes: Incluir, Pertencer, Enfrentar e Decidir. Este é o “golpe final” de humanidade e razão que o mundo corporativo necessita para desenhar o futuro.
A participação ativa da Devoteam, cimenta o seu papel no ecossistema de liderança nacional. O diálogo estratégico fomentado no evento, focado na requalificação humana e na IA como power enhancer, está, intrinsecamente, ligado à sua missão: traduzir a complexidade do mundo digital em soluções que criam valor sustentável para os seus parceiros e para a sociedade.