A transformação na forma como se procura informação
Nos últimos anos, o comportamento de procura de informação evoluiu de forma acelerada. A ascensão dos Large Language Models (LLMs) introduziu um novo paradigma digital: os utilizadores deixaram de procurar apenas links, querem respostas diretas, úteis e conversacionais.
Num contexto em que os motores de pesquisa tradicionais já não são o único ponto de partida, o desafio para as marcas é claro: como garantir visibilidade e relevância num cenário onde as respostas são geradas por inteligência artificial? Num cenário onde o SEO tradicional já não é suficiente, torna-se essencial adotar uma nova abordagem. E é aqui que entra o GEO – Generative Engine Optimization.
O GEO não substitui o que veio antes, mas convida-nos a abraçar a evolução de como o conteúdo é descoberto, compreendido e recomendado.

Viviane Portela Gama
SEO/GEO Specialist
Da pesquisa tradicional (SEO) à geração de respostas
O mercado tem assistido a uma transformação significativa: as pesquisas já não se limitam à apresentação de resultados, mas sim à síntese de informação. Estamos perante uma transição clara: do modelo tradicional de pesquisa para um ecossistema em que as respostas são criadas por modelos generativos – não a partir do que as marcas dizem, mas sobre as marcas.

O crescimento da utilização de LLMs
A adoção de ferramentas baseadas em LLMs cresce de forma exponencial. As projeções indicam que, até 2031, o número global de utilizadores poderá aumentar 239%, refletindo uma mudança nos hábitos de procura: mais rápida, resumida e orientada para a utilidade.

Fonte: Statista. (Março 2025). Número de utilizadores globais de ferramentas de IA de 2021 a 2031 em milhões.
Embora os LLMs estejam a ganhar relevância, os motores de pesquisa tradicionais continuam a liderar em volume de tráfego. Em outubro de 2025, o Google ultrapassou as 84 mil milhões de visitas, representando cerca de 86% do total entre os principais motores e plataformas. Bing, Yahoo e DuckDuckGo totalizaram, em conjunto, aproximadamente 5 mil milhões de visitas.
Já o ChatGPT registou 6,2 mil milhões de visitas (cerca de 6,3% do total), superando claramente outras plataformas generativas, como Gemini, Copilot, DeepSeek ou Perplexity, e até a maioria dos motores de pesquisa tradicionais. Paralelamente, o tráfego gerado por LLMs cresce mensalmente e, segundo o SEMRush, poderá representar 17% do tráfego total dos websites em 2026.
Estes dados reforçam a necessidade de uma estratégia híbrida e abrangente: garantir presença tanto nos motores de pesquisa tradicionais como nas plataformas alimentadas por inteligência artificial.

Fonte: Similarweb. (Junho 2025). Visitas aos websites.
A importância de agir agora
Os LLMs constroem respostas e resumos com base em fontes específicas. Neste processo, muitas marcas ficam ausentes ou mal representadas simplesmente porque não são consideradas relevantes pelos modelos.
Além disso, a tendência para pesquisas sem cliques está a aumentar: em março de 2025, 26,1% das pesquisas não resultaram em qualquer clique (+11% face a 2024), e tudo indica que esta percentagem continuará a crescer.
Por isso, o objetivo deixa de ser apenas gerar cliques orgânicos. O foco passa a ser aumentar a visibilidade, credibilidade e autoridade para atrair tráfego verdadeiramente qualificado: utilizadores que escolhem clicar porque estão realmente interessados no produto ou serviço.
A estratégia para GEO
A implementação de uma estratégia de GEO é um processo ongoing e estruturado, essencial para garantir a presença de uma marca no ecossistema dos Large Language Models (LLMs) e motores de resposta.
Mais do que trabalhar a visibilidade como acontecia com o SEO, as marcas devem esclarecer os utilizadores e guiar os motores de resposta IA a serem mais eficientes e certeiros nas respostas que partilham nas suas conversas e conteúdos.
O processo desdobra-se em quatro fases complementares:
I. Auditoria e Diagnóstico
Análise técnica do website, reputação digital e presença da marca. Esta fase é crucial para mapear as fontes de dados dos modelos generativos e diagnosticar a representação atual do setor e dos concorrentes nos LLMs. Conclui-se com a identificação de pontos fortes e lacunas no conteúdo existente.
II. Estratégia de Posicionamento GEO
Definição dos tópicos, entidades e conceitos-chave que devem ser univocamente associados à marca pelos modelos generativos. Envolve a análise de prompts e padrões linguísticos para estabelecer uma narrativa controlada sobre a marca no universo da IA.
III. Otimização e Implementação
Fase dedicada à otimização de conteúdo, com foco em critérios de clareza, autoridade e relevância para LLMs. Desenvolvem-se conteúdos long-form orientados para perguntas e respostas, páginas temáticas e um plano de PR digital e aquisição de backlinks a partir de fontes estratégicas, aumentando a credibilidade referencial da marca.
IV. Monitorização e Manutenção Contínua
Estabelecimento de um ciclo de otimização contínua, que envolve a monitorização regular das respostas dos principais modelos para avaliar a presença da marca. Esta fase gera relatórios de desempenho para ajustar a estratégia em função da evolução dos modelos generativos e da dinâmica do comportamento dos utilizadores.
GEO vs. SEO
O GEO não substitui o SEO, mas representa a sua evolução. Ambas as metodologias partilham a ênfase na qualidade do conteúdo, saúde técnica e resposta à intenção de procura. Contudo, a transição de motores de pesquisa para motores de resposta exige que a visibilidade da marca passe pela referenciação por sistemas baseados em conhecimento consolidado, tornando-se imperativo garantir que a IA classifique a marca como relevante, credível e digna de menção.
O GEO assume uma posição mais transversal na definição da estratégia de conteúdos das marcas e atua, portanto, como um acelerador do SEO, potenciando uma mudança mais estrutural e abrangente.
Fontes:
Statista Research Department (2025). Number of AI tool users worldwide 2020-2031. https://www.statista.com/forecasts/1449844/ai-tool-users-worldwide
Goodwin, D. (2025, June). Zero-click searches rise, organic clicks dip: Report. Search Engine Land. https://searchengineland.com/zero-click-searches-up-organic-clicks-down-456660
Handley, R. (2025, July). We Studied the Impact of AI Search on SEO Traffic. Here’s What We Learned. SEMRush. https://www.semrush.com/blog/ai-search-seo-traffic-study/
Cardillo, A. (2025, November). Future of Search: Why LLMs Will Drive 75% of Revenue by 2028. Exploding Topics. https://explodingtopics.com/blog/llm-search
