A fusão de perspectivas
Numa sociedade em crescente polarização, a capacidade de unir perspectivas em torno de temas dicotómicos torna-se, cada vez mais, um imperativo estratégico. A Inteligência Artificial e a sua vultuosa evolução nos últimos anos, está no centro desse desafio. As organizações e a sociedade procuram respostas, muitas vezes posicionando-se em lados opostos, ignorando as infinitas possibilidades de co-criação, proliferação de ideias e exponencial crescimento que essa evolução oferece quando abordada de forma colaborativa.
A “fusão de perspectivas” não é uma questão de concordância cega de ideias, pelo contrário, representa a capacidade para o debate e o aprofundar das mesmas! Espelha a disponibilidade para aprender, trocar impressões e lançar desafios sobre temas e áreas que tocam nos mais diversos pilares do espectro económico e social. Foi com esta visão que a Devoteam, enquanto empresa líder na transformação digital e em consultoria tecnológica, desenhou e conduziu o Fusion 2025.
A Inteligência Artificial está a transformar o modo como vivemos, trabalhamos e criamos. Na Devoteam acreditamos que o grande desafio não é apenas tecnológico, mas sobretudo humano: como garantir que a IA acrescenta valor, respeita princípios éticos e fortalece as organizações e a sociedade? O Fusion 2025 nasce precisamente para abrir este debate em Portugal, juntando vozes de diferentes setores num diálogo inclusivo e estratégico sobre o futuro da tecnologia.

Bruno Mota
CEO, Devoteam Portugal
No passado dia 18 de setembro, o Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, transformou-se no “palco central” do debate sobre Inteligência Artificial e contou com a presença de personalidades de referência dos mais diversos setores, desde a cultura, à banca, passando pelo setor energético, a administração pública e a academia.
Gonçalo Saraiva Matias (Ministro Adjunto e da Reforma do Estado), marcou presença e dirigiu-se à audiência no encerramento do evento, partilhando uma visão estratégica sobre o papel da IA na eficiência do Estado. O Fusion 2025 contou ainda com a participação de personalidades como Pedro Reis (Former Minister of Economy, Executive Director, Fundação António Pargana and Vice Chairman, Cimpor Strategic Council), e Gabriel Coimbra (Executive Advisor, Former IDC VP South Europe), que com a sua presença, contribuíram para a elevação do debate, reforçando a importância de um diálogo plural sobre a tecnologia. A abertura do evento ficou a cargo do maestro e diretor artístico Martim Sousa Tavares, que, através de uma visão multidisciplinar, desafiou a audiência a refletir sobre o tema da ‘falha humana’ e como podemos conduzir essa falha de um ponto de vista de liderança e humano.




A essência do diálogo: os painéis que moldaram o debate
Se a “fusão de perspectivas” foi o ponto de partida para esta conferência, as temáticas foram o catalisador para a troca de ideias.
A manhã ficou marcada por debates, opiniões de especialistas e colaborações inesperadas, em torno de quatro grandes temáticas:
- A interseção entre Humanidade e Tecnologia;
- Os desafios do equilíbrio entre Utopia e Pragmatismo;
- A importância da Ética, mantendo a Inovação;
- O potencial da sinergia entre Academia e Indústria.
A moderação, conduzida com mestria pela jornalista Ana Patrícia Carvalho, desdobrou os temas em perguntas e as respostas em pontos de reflexão. Bruno Mota (CEO, Devoteam Portugal) e Sébastien Chevrel (Group Managing Director, Devoteam), juntamente com a anfitriã Patrícia Milheiro (AI Agency Strategy Director, Devoteam), deram o mote para uma manhã de diálogo.



Humanidade e Tecnologia
Com a participação de Madalena Talone (Executive Board Member, Caixa Geral Depósitos), Paulo Rosado (Co-Founder, Chairman of the Board and Strategic Advisor, OutSystems) e Ricardo Chaves (Executive Director AI Center of Excellence, BPI), o primeiro painel centrou-se no papel do ser humano no ecossistema da Inteligência Artificial. O debate explorou a necessidade de uma abordagem “humano-cêntrica” na implementação da tecnologia, sublinhando que a IA deve ser uma ferramenta para amplificar as nossas capacidades, e não uma substituição das mesmas. Os oradores destacaram que a adaptação cultural e a capacitação profissional são cruciais para que as organizações e a sociedade beneficiem do verdadeiro potencial da IA.



Utopia e Pragmatismo
De seguida, a roundtable “Utopia e Pragmatismo” trouxe para a conversa a visão de Catarina Ceitil (CIO & Transformation Officer, Galp), Gonçalo Regalado (CEO, Banco Português de Fomento), Hélder Dias Ribeiro (Chief Digital & Tech Officer & Executive Board Member, SONAE MC) e Sofia Marta (Country Manager, Google Cloud Portugal). O painel abordou o desafio de equilibrar a ambição da IA com as realidades da sua aplicação no terreno. Os especialistas debateram como as organizações podem traduzir o potencial teórico da tecnologia em soluções concretas, tangíveis e com retorno de investimento, superando os obstáculos operacionais, técnicos e de adoção interna.



Ética e Inovação
A discussão sobre a “Ética e Inovação” foi um dos pontos altos do evento, com a participação de Adolfo Mesquita Nunes (Partner, Pérez-Llorca and Professor, NOVA), Paulo Dimas (CEO, Center for Responsible AI), Rui Shantilal (Group VP, Devoteam Cybertrust) e Sandra Maximiano (Chairwoman of Board of Directors, ANACOM). Este painel mergulhou nas questões mais sensíveis da IA: a privacidade dos dados, a responsabilidade das decisões algorítmicas e a criação de uma Inteligência Artificial justa e transparente. Foi reforçada a importância de estabelecer um quadro ético robusto que oriente o desenvolvimento e a implementação da IA, garantindo que a inovação tecnológica se alinha com os valores humanos.


Academia e Indústria
Por fim, o painel “Academia e Indústria”, com a presença de Carla Patrocínio (Head of Technology Transfer Office, Instituto Superior Técnico), Henrique Carreiro (Director, IT Insight and Professor, NOVA IMS), João Graça (Co-Founder & Former CTO, Unbabel) e Pedro Garcia da Silva (CIO, Champalimaud Foundation), abordou a ponte crucial entre a investigação e a aplicação no mundo real. A conversa destacou a necessidade de fortalecer a colaboração entre as universidades e as organizações para que a ciência se traduza em soluções que impulsionem a economia e a sociedade. Ficou claro que o futuro da IA em Portugal depende de um ecossistema coeso onde o conhecimento gerado na academia encontra um terreno fértil na indústria.



Uma viagem no tempo: 200 anos de IA numa exposição imersiva
Paralelamente aos debates no palco principal, os participantes do Fusion 2025 foram convidados a percorrer uma viagem única no tempo. Numa experiência imersiva, ao longo de 35 metros, a exposição “200 years of AI” serviu como uma ponte entre o passado e o futuro, revelando a evolução silenciosa, mas transformadora, da Inteligência Artificial.
Esta cronologia visual permitiu aos visitantes recuar até 1837, com a visão pioneira de Charles Babbage e a criação da Máquina Analítica. De seguida, percorreram os momentos-chave que moldaram a IA que hoje conhecemos: desde a primeira noção de um algoritmo de Ada Lovelace, em 1843, à máquina universal de Alan Turing e à formalização do termo “Inteligência Artificial” na Conferência de Dartmouth, em 1956.
A exposição não só destacou as figuras históricas, como também os momentos decisivos que mudaram a perceção pública sobre a tecnologia, como a vitória do supercomputador Deep Blue da IBM sobre o campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, em 1997, e mais recentemente, o desenvolvimento de sistemas como o AlphaGo, que demonstraram a capacidade da IA para inovar e superar as abordagens humanas em estratégias aplicadas ao jogo. Este percurso histórico enalteceu também o papel de figuras contemporâneas como Geoffrey Hinton, conhecido como o “padrinho da IA” pelo seu trabalho em redes neurais.

Esta viagem ao passado e ao presente da IA reforçou o contexto do Fusion 2025: a Inteligência Artificial não é uma novidade, mas sim o culminar de 200 anos de engenho e pesquisa humana. A sua evolução é um reflexo da nossa capacidade de inovar e de expandir os limites do “possível”.
Para além do diálogo: o compromisso da Devoteam com a transformação em IA
O Fusion 2025 foi mais do que um evento, foi um convite a olhar para a Inteligência Artificial não como uma força distante, mas como o culminar de duzentos anos de engenho humano. A viagem imersiva pela história da IA demonstrou que a inovação tecnológica é um processo incremental.
Os debates, por sua vez, reforçaram que a fusão entre a humanidade e a tecnologia, a ética e a inovação, a academia e a indústria, e a utopia e o pragmatismo é a chave para a criação de um futuro mais inclusivo e próspero. A riqueza das discussões e a diversidade de perspectivas presentes no palco do Pavilhão do Conhecimento, validam que o diálogo é o caminho para transformar o potencial da IA em valor real para a sociedade e para as organizações.
Como líder na transformação digital e em consultoria tecnológica, a Devoteam acredita que a IA não é apenas uma ferramenta, mas um catalisador para a inovação. A nossa missão é ajudar as organizações a navegar este universo complexo, transformando as suas ambições em resultados concretos, através de uma abordagem que coloca o ser humano e a ética no centro da tecnologia. O Fusion 2025 foi uma demonstração clara do compromisso da Devoteam em impulsionar o debate, partilhar conhecimento e co-criar o futuro da IA em Portugal e no mundo.