O “Portugal Digital Summit 2025”, que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa, a 22 e 23 de outubro, estabeleceu-se como um evento crucial para a economia digital portuguesa. Com o lema “Reinventando Negócios na Era da Inteligência Artificial”, o encontro serviu de palco para líderes e especialistas debaterem a influência transformadora da IA nas organizações e na sociedade.
O evento destacou-se pela sua riqueza e diversidade de conteúdo, apresentando uma estrutura de 10 palcos temáticos. Estes palcos abordaram desafios cruciais que marcam a atualidade e o futuro, com foco em temas como: Future of Money, Future of Energy & Sustainability, Future of Digital Trust and Cybersecurity, entre outros. O debate foi promovido através de formatos diversificados, incluindo Keynotes, Discussion Panels e Case Studies. A presença de vários oradores de renome como a astronauta Sara Sabry e o investigador Nils Olaya Fonstad, do MIT CISR, enriqueceram, ainda mais, a qualidade da programação.
A Devoteam desempenhou um papel central, marcando presença como Stage Partner no palco “Future of Leadership and Work Stage | New Paradigm Management in AI Era“. Este palco, integralmente dedicado à gestão e à adaptação cultural do trabalho face à disrupção da IA, solidificou o posicionamento da Devoteam como líder de pensamento nas áreas de estratégia, tecnologia e capital humano.
Future of Leadership and Work Stage: Um resumo do programa





O palco “Future of Leadership and Work Stage | New Paradigm Management in AI Era” acolheu, na manhã de 22 de outubro, uma programação que integrou visão estratégica, análise de dados e aplicação operacional.
O programa teve início com a Keynote “Towards the Agentic Enterprise”, apresentada por Jesper Schleimann, Head of Business AI da SAP EMEA One. A sua mensagem centrou-se na transição para o próximo nível da IA empresarial, destacando o foco no conceito de “Agentic Mesh“.
O ponto alto da programação foi o Discussion Panel “Strategic Decision-Making in the AI Era: From Data to Action“, que contou com a participação de Bruno Mota, CEO da Devoteam Portugal, Hélder Dias Ribeiro, CDO da Sonae MC, e João Nascimento, CIO da EDP. A moderação esteve a cargo de João Guedes Vaz, Board Member, Managing Partner, Global Head of Leadership Consulting na Boyden.
Seguiu-se a apresentação do Case Study “Rewriting the Operations Playbook: How Mota-Engil’s transformation path has included AI for End-to-End Innovation?”, onde Pedro Campos, Executive Director and Head of Management Consulting da Devoteam, e Filipe Morla, CEO da Mota-Engil Global, exploraram a visão estratégica e a jornada de transformação digital da Mota-Engil.
Houve ainda espaço para uma demonstração sobre o tema “AI Tools that Augment Management and Strategy” conduzida por Francisco Morais, SDR Manager na Factorial.
E, por fim, um Fireside Chat entre Adolfo Martinho, General Manager da DXC Portugal, e Catarina Ceitil, CIO da Galp, proporcionando uma perspetiva 360º sobre cultura, estratégia e ferramentas de gestão na nova era da IA.
O futuro da tomada de decisão: Os destaques do painel de discussão
O painel de discussão “Strategic Decision-Making in the AI Era: From Data to Action” abordou um desafio crucial na era digital: como converter dados em valor real e sustentável para as organizações.
Este momento reuniu Bruno Mota, Hélder Dias Ribeiro e João Nascimento, líderes que, nas suas funções diárias, estão na vanguarda da evolução dos modelos de decisão, promovendo o uso de dados, algoritmos e a colaboração aumentada para uma tomada de decisão mais ágil, confiável e geradora de valor e focou a discussão em 3 grandes temáticas:
Data governance: O fator crítico para a escalabilidade da IA
Um dos pontos de discussão centrou-se no desafio da escalabilidade da Inteligência Artificial. Apesar do vasto investimento em infraestrutura, a transição de provas de conceito (PoCs) e MVPs para a implementação em larga escala é frequentemente interrompida. A principal barreira identificada não é tecnológica, mas sim de natureza organizacional.
A necessidade de uma governance de dados robusta e inegociável foi o ponto central de consenso entre todos os oradores, sendo considerada essencial para o sucesso da implementação e escalabilidade da Inteligência Artificial. João Nascimento enfatizou a importância de ter “boas fundações”, advertindo que “maus dados geram maus outputs“. A título de exemplo, mencionou o investimento da EDP na catalogação de mais de 80% dos seus domínios de dados. Bruno Mota complementou, alertando que muitas empresas que se consideram data-ready acabam por falhar devido à ausência de uma estrutura de governance adequada.
Escala e capacitação (Enablement at Scale)
A transição da experimentação para a transformação real dos negócios requer um esforço significativo de capacitação em larga escala e uma clara demonstração do Retorno do Investimento (ROI).
Este foi um ponto destacado por Hélder Dias Ribeiro, que apresentou o programa “AI Accelerate” da Sonae MC, estruturado em três pilares essenciais: Pessoas (foco na literacia digital e desenvolvimento de skill sets); Transformação de Processos (evitar aplicar IA em processos obsoletos); e Produtos AI-enabled. O CDO da Sonae MC, sublinhou, ainda, que a “medição de valor” é o fator chave para desbloquear o potencial nas organizações.
Na mesma linha, João Nascimento realçou o investimento da EDP na formação de milhares de colaboradores, adaptada a diferentes níveis de maturidade em IA.
Em conclusão, Bruno Mota sintetizou que o maior desafio reside precisamente em validar o ROI e em garantir que os projetos de IA evoluem de meros experimentos para soluções robustas, capazes de transformar efetivamente os processos e workflows organizacionais.
Human-in-the-loop
O painel de discussão enfatizou que o futuro reside na colaboração otimizada entre humanos e máquinas, em vez de uma escolha excludente. Hélder Dias Ribeiro ilustrou essa sinergia ao partilhar o uso de agentes quase autónomos em cibersegurança. Em complemento, Bruno Mota destacou a importância da intervenção humana, estimando que “90% dos agentes ganhariam em ter uma componente human-in-the-loop” para maior assertividade e confiança na tomada de decisão. João Nascimento reforçou que o fator humano representa, sobretudo, uma questão estratégica e de diferenciação no mercado.
Em suma, concluiu-se que, embora a automatização seja ideal para processos técnicos e de back-office, as decisões cruciais orientadas para o cliente continuam a necessitar de supervisão humana.
Neste contexto, a vantagem competitiva não será determinada pelos algoritmos, que são de acesso generalizado (democratizados), mas sim pela forma como a tecnologia é aplicada especificamente ao negócio, pela visão da liderança, pela valorização do talento e pela celeridade da implementação.
O Playbook operacional: A transformação digital da Mota-Engil
A conversa “Rewriting the Operations Playbook: How Mota-Engil’s transformation path has included AI for End-to-End Innovation?”, centrou-se na forma como a Inteligência Artificial pode impulsionar a eficiência operacional.
Pedro Campos, Executive Director and Head of Management Consulting da Devoteam, e Filipe Morla, CEO da Mota-Engil Global, iniciaram a sessão abordando o desafio de inovar num setor tradicional como o da construção e explorando o fator que desencadeou a integração da tecnologia no seu quotidiano.
Eixos da inovação e produtividade
Filipe Morla explicou que a trajetória de transformação digital da Mota-Engil nasceu da necessidade de aportar valor adicional, quebrar os silos e estruturar um programa focado em três eixos: Eficiência (automação e robótica), Customização (adequação do output dos sistemas aos utilizadores) e Dados (capacidade de entrega em tempo real).
Pedro Campos, introduziu de seguida, o tema da produtividade, classificando-a em duas vertentes: individual (relacionada ao posto de trabalho) e corporativa (focada nas operações e frente de obra). Ao questionar a eficácia dos resultados atuais e o ponto de situação, Filipe Morla revelou que o grupo já está a utilizar Inteligência Artificial aliada ao ERP (SAP) para otimizar processos na cadeia de abastecimento e logística de obra, num projeto “acabado de sair do laboratório”. O principal desígnio é permitir que os colaboradores se libertem de tarefas administrativas, concentrando-se na entrega atempada e de qualidade.
Escala e governance global
Confrontando o desafio de escalar a inovação nos 20 países onde a Mota-Engil opera, Pedro Campos questionou a forma de agregar estas diferentes realidades geográficas. Filipe Morla destacou que a escalabilidade exige um programa alargado de envolvimento de todas as geografias, essencial para a definição de regras e necessidades prioritárias. A lição crucial aprendida com este processo é a necessidade de um patrocínio contínuo e de um “patrocínio fortíssimo por parte da Comissão Executiva”.
Do debate à ação: Os imperativos da era da IA
O “Portugal Digital Summit 2025” delineou um caminho inequívoco para a transformação organizacional. O evento enfatizou que a evolução da Inteligência Artificial exige, prioritariamente, uma governance de dados rigorosa, um investimento substancial na formação de competências e a integração do elemento humano como eixo estratégico fundamental.
Neste contexto, a Devoteam reafirma-se como uma empresa catalisadora desta transformação. O seu compromisso é claro: apoiar os seus parceiros na conversão da complexidade da evolução digital em soluções concretas e agregadoras de valor, com foco na sustentabilidade e no fator humano.